O mercado de bebidas mudou. Quem ainda não percebeu vai sentir no faturamento.
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O brasileiro está bebendo diferente. A indústria de alimentos e bebidas faturou R$ 1,39 trilhão em 2025, alta de 8% sobre o ano anterior, segundo a ABIA. Para 2026, a associação projeta crescimento real de vendas entre 2% e 2,5%, puxado pelo mercado interno.¹ Mas volume não conta a história toda. Por dentro desse crescimento, o mix está mudando, o consumidor está mudando e as categorias que dominavam a gôndola estão sob pressão.
Quem entender as nove macrotendências que movem esse mercado agora vai formular o produto certo, na hora certa. Quem continuar apostando no que sempre funcionou vai perceber o problema quando já for tarde para reagir.
1. O consumidor bebe menos. E escolhe com muito mais critério.
O ponto de partida de qualquer análise séria do mercado de bebidas em 2026 é o comportamento de consumo. A principal mudança não está no produto. Está em quem compra.
Pesquisa da IWSR mostra que o consumo global de bebidas sem álcool cresceu 9% em volume em 2025. A venda de energéticos zero açúcar cresceu 25% no mesmo período. Refrigerantes zero avançaram 10%.² A Geração Z e os millennials adotaram um estilo de vida em que prazer e consciência convivem. Quando precisam escolher entre os dois, a consciência costuma ganhar.
Esse movimento tem nome na literatura de mercado. A Euromonitor International chama de "Zebra Striping" o hábito de intercalar bebidas alcoólicas e não alcoólicas na mesma ocasião social.³ O consumidor continua presente nas mesmas ocasiões de consumo, mas escolhe o que vai entrar no copo com mais intenção do que antes.
Para a indústria, isso significa que o produto que não justifica sua presença no carrinho vai ser deixado para trás. O que fica é o que entrega funcionalidade, sabor e uma história que o consumidor consegue contar para si mesmo quando lê o rótulo.
2. O Ozempic genérico entrou no mercado. A conta da indústria vai mudar.
Em março de 2026, a semaglutida perdeu proteção de patente no Brasil. A 4ª Turma do STJ barrou por unanimidade a prorrogação pedida pela Novo Nordisk, os genéricos estão em fila na ANVISA e o mercado deve crescer significativamente com a chegada de versões mais acessíveis.⁴
O impacto no comportamento de compra já está documentado lá fora. Pesquisa da PwC (2024) mostra que usuários de GLP-1 reduziram seus gastos com alimentos em aproximadamente 11% na maioria das categorias, com as maiores quedas em snacks doces e salgados.⁵ Estudo da Cornell University publicado no Journal of Marketing Research (2025) confirma: domicílios com usuários diminuíram os gastos totais com supermercado em 5,3% nos primeiros seis meses de tratamento, chegando a 8,2% entre domicílios de alta renda. Os gastos em fast-food caíram 8%.⁶
No caso de bebidas alcoólicas, o cenário é ainda mais drástico. Segundo o Morgan Stanley, assumindo uma redução de 75% no consumo de álcool entre usuários (o que estudos clínicos sustentam), uma adoção ampla de GLP-1 nos EUA poderia reduzir a demanda total por álcool em até 55%.⁷ A EY-Parthenon já observa na prática que 44% dos usuários bebem menos após iniciar o tratamento, e 82% mantêm esse hábito mesmo depois de parar a medicação.⁸
O problema vai além da redução de apetite. Estudos clínicos mostram que até 40% da perda de peso com GLP-1 pode vir de massa magra.⁹ Isso cria uma demanda nova e crescente: consumidores que comem menos precisam de mais nutrição por porção, especialmente proteína, fibra e micronutrientes. Quem chegar primeiro com um produto que responda a isso vai capturar um mercado que ainda está sendo formado.
3. Clean label deixou de ser diferencial. Virou requisito.
O mercado global de ingredientes clean label movimentou US$ 28,2 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 89,7 bilhões até 2034, crescimento anual de 12,2%, segundo a Global Market Insights.¹⁰
O movimento não é novo, mas chegou num ponto de inflexão. O rótulo deixou de ser detalhe e se tornou protagonista. O consumidor passou a rejeitar listas extensas de ingredientes que não reconhece, e essa rejeição aparece diretamente no comportamento de compra.
Para bebidas energéticas, refrigerantes e produtos de proteína, isso tem uma implicação prática: a reformulação deixou de ser um projeto de marketing e virou uma decisão industrial urgente. Red Bull e Monster já reformularam linhas inteiras para versões zero açúcar. A demanda por energéticos com ingredientes limpos, cafeína de origem natural como guaraná, chá verde e guayusa, e sem aditivos artificiais está consolidando marcas que se posicionaram cedo.
A tendência vai além do zero açúcar. Inclui adoçantes de origem vegetal, aromas naturais e ingredientes com apelo de rastreabilidade. O consumidor quer saber de onde vem o que está bebendo.
4. O sabor virou estratégia de marca.
Na Europa, a tendência spicy chegou às bebidas. O que começou nos EUA com drinks picantes como o "Spicy Margarita" atravessou o Atlântico e agora influencia o desenvolvimento de produto, com primeiros sinais chegando ao mercado brasileiro.
O movimento mais amplo é a combinação de doce e picante que domina lançamentos em múltiplas categorias e representa uma mudança no apetite do consumidor por experiências sensoriais mais complexas. De acordo com a Kerry, criatividade ousada e experiências multissensoriais estão no centro do desenvolvimento de produtos em 2026.¹¹
Para bebidas energéticas, isso é uma oportunidade clara de diferenciação. O sabor deixou de ser apenas uma característica do produto e passou a ser a identidade da marca. No mercado de energéticos, onde a percepção sensorial é o principal driver de recompra, aromas tropicais, perfis audaciosos e combinações inesperadas vão definir os próximos líderes de categoria.
5. RTD deixou de ser um formato. Virou onde tudo vai acontecer.
O mercado global de bebidas prontas para consumo movimentou US$ 732 bilhões em 2023 e deve alcançar US$ 1,2 trilhão até 2032, com crescimento anual de 6%.¹² Isso reconfigurou o próprio mercado de bebidas.
A lata e a garrafa pronta viraram o veículo preferido para todas as outras tendências: clean label, funcionalidade, proteína, fibra, adaptógenos, saúde intestinal, redução de açúcar. O produto em pó ou concentrado ainda tem mercado, mas o crescimento está acontecendo no formato pronto para beber, porque é onde o consumidor está disposto a pagar mais e descobrir novidades.
Para fabricantes e formuladores, o desafio técnico ficou mais exigente. O produto precisa ser estável no shelf-life de 12 a 18 meses, funcionar em pH ácido, suportar pasteurização ou UHT e manter sabor e aparência desde o dia da fabricação até o último dia de validade. Ter o ingrediente certo não resolve se ele sedimenta, turva ou perde função no processo industrial.
6. Saúde intestinal: de pauta de nicho a critério de compra.
A saúde intestinal se tornou prioridade para a maioria dos consumidores globais, e essa preocupação está migrando diretamente para as prateleiras de bebidas. Lançamentos com alegações prebióticas e probióticas em refrigerantes e energéticos cresceram 51% em 2025, segundo a Innova Market Insights.¹³ O consumidor aprendeu que o intestino impacta imunidade, pele, humor e energia ao mesmo tempo.
Para a indústria, isso cria dois movimentos simultâneos: a oportunidade de agregar claims de saúde intestinal em produtos já existentes, e o risco de perder consumidores para concorrentes que fizeram isso primeiro. A fibra solúvel é o ingrediente mais limpo para capturar esse movimento, sem os efeitos adversos das fibras convencionais e com possibilidade de rotulagem clean label que reforça o posicionamento natural do produto.
7. A bebida que só hidrata perdeu espaço.
O mercado global de bebidas funcionais com foco em hidratação pode chegar a US$ 66,6 bilhões até 2034. No Brasil, a categoria cresce a 7,33% ao ano entre 2026 e 2033, ritmo bem acima da média do setor.¹⁴ O consumidor aprendeu que a bebida pode ser um veículo de nutrição, não apenas de líquido.
A tendência "Beverages with purpose", identificada pela Innova Market Insights como uma das dez principais forças do mercado de 2026, descreve produtos que combinam hidratação com eletrólitos, minerais, proteína, probióticos ou prebióticos e comunicam esse valor no rótulo de forma clara.¹³ O consumidor não quer adivinhar o benefício.
Águas saborizadas, isotônicos reformulados, RTDs proteicos e energéticos com eletrólitos são as categorias que mais crescem dentro desse movimento. O mercado de águas saborizadas deve ultrapassar US$ 29 bilhões até 2031. Quem ainda desenvolve produto para essa categoria como se fosse apenas uma bebida com sabor está atrasado.
8. Adaptógenos saíram do nicho wellness. Estão na lata do energético.
Ashwagandha, ginseng, cogumelos reishi, rhodiola. Até pouco tempo atrás, esses ingredientes apareciam em suplementos de lojas especializadas para um público muito específico. Em 2026, estão nos cardápios de cafeterias, nas prateleiras de supermercados e nas formulações de energéticos e RTDs voltados para o consumidor geral.
A Innova Market Insights aponta o estresse como a principal preocupação de saúde mental que os consumidores tentam resolver por meio de alimentos e bebidas.¹³ Isso criou uma categoria inteira de "mood drinks": produtos que prometem foco, calma, energia limpa ou alívio de ansiedade, dependendo do posicionamento. Chás adaptogênicos, energéticos com rhodiola para foco mental e bebidas com L-teanina para energia sem ansiedade estão crescendo em todos os mercados relevantes.
Para a indústria brasileira, é uma janela de oportunidade que ainda não foi ocupada de forma sistemática. O ingrediente adaptogênico diferencia na prateleira, gera claim legítimo e atende ao consumidor que busca performance cognitiva e emocional. O segmento que souber combinar esse posicionamento com sabor e formato de fácil consumo vai criar uma categoria nova no Brasil.
9. Proteína, fibra e adoçamento inteligente: a nova tríade da formulação.
As oito tendências anteriores convergem para um mesmo desafio técnico: como reformular um produto para entregar mais valor em menos volume, com rótulo limpo, sabor que funciona, argumento funcional real e custo que viabiliza a operação?
A resposta está na seleção inteligente de ingredientes.
Adoçamento sem açúcar e sem residual
O açúcar bruto no mercado internacional atingiu o menor nível em cinco anos, e parte dessa queda já é atribuída ao efeito GLP-1 nas projeções do USDA. Para a indústria, isso reforça o argumento financeiro que já existia: substituir o açúcar reduz volatilidade de custo, reduz caloria e abre caminho para o consumidor que lê rótulo.
O desafio está na execução. Mais de 55% dos consumidores classificam adoçantes artificiais como negativos, segundo a Cargill (Sweetness Spectrum Report, 2023).¹⁵ A tecnologia de modulação de sabor presente na linha EdulTAZ da Total Ingredientes resolve esse problema de forma industrial.
O EdulTAZ PWi e PW utilizam blends de alta intensidade (acessulfame K, sucralose e palatabilizantes) para substituição de 100% do açúcar, com perfil sensorial fiel à sacarose, sem notas metálicas ou residuais amargos. São a opção de melhor custo-benefício para reformulações de alto volume como refrigerantes, energéticos e bebidas prontas.
O EdulTAZ MF vai além, com adoçamento a partir de fontes naturais. Zero calorias, vegano, com o mínimo de aditivos. É o posicionamento ideal para produtos premium e clean label que precisam comunicar naturalidade no rótulo sem abrir mão da performance sensorial.
Proteína que funciona dentro do produto
O crescimento do mercado de beauty from within e de nutrição ativa está consolidado. O consumidor que usa GLP-1, pratica exercício ou busca envelhecer bem quer proteína no produto. Mas quer que ela não turve a bebida, não crie off-note e não desestabilize no shelf-life.
O TAZCol Instant atende a esses requisitos com estabilidade comprovada em pH ácido e em processos UHT, dissolução instantânea e sabor neutro. Quando combinado com aminoácidos essenciais, o sistema emula uma proteína completa, viabilizando o claim duplo de "Colágeno" e "Fonte de Proteína" pela RDC 54. Para energéticos, refrigerantes e RTDs que querem entrar na categoria de bebidas funcionais com argumento real, é a solução que o P&D não precisa recalibrar a cada lote.
Fibra que ninguém sente, mas todo rótulo precisa
O consumidor que usa GLP-1 enfrenta constipação em mais de 30% dos casos.¹⁶ O consumidor geral está cada vez mais atento à saúde intestinal. Adicionar fibra convencional numa bebida costuma criar problemas: inchaço, gases, turbidez.
O FibreGum B resolve isso de outra forma. Fibra de goma acácia com 90% de teor solúvel, estabilidade total em pH até 2,0, sem precipitação no shelf-life, sem impacto em cor ou textura. Permite o claim de saúde intestinal com rótulo limpo, rotulado como "Fibra de Goma Acácia", sem o passivo sensorial que faz o consumidor trocar de marca.
Na prática: como isso vira produto
Uma bebida energética reformulada para 2026 pode reunir esses três pilares em uma lata. EdulTAZ para doçura limpa e redução calórica. TAZCol Instant + aminoácidos para diferenciação proteica e claim premium. FibreGum B para saúde intestinal sem comprometer a experiência sensorial. Aromas naturais de alto impacto (tropical, guaraná, berry) para a identidade de sabor que define o líder de categoria.
O resultado é um produto que atende ao consumidor que bebe menos mas exige mais, está pronto para o mundo pós-GLP-1, tem rótulo limpo, entrega saúde intestinal, funciona como bebida com propósito e sustenta uma narrativa de valor que justifica preço premium. Tudo dentro de uma lata RTD estável do primeiro ao último dia de validade.
Quem espera vai correr atrás de uma posição que já foi ocupada.
O mercado de bebidas não vai encolher. Vai se bifurcar. De um lado, o volume commoditizado, pressionado pelo GLP-1, pela redução de apetite e pela mudança de lifestyle. Do outro, o valor: produtos que entregam mais por porção, que o consumidor escolhe intencionalmente e que sustentam margens maiores.
A janela para se posicionar no segundo lado ainda está aberta. Mas o tempo de formular, validar e lançar tem um limite. As marcas que entrarem com os ingredientes certos agora vão estar nas gôndolas quando a onda chegar. As que esperarem confirmação vão encontrar a posição ocupada.
A Total Ingredientes atua como parceira técnica nesse processo, da seleção do ingrediente à validação na linha de produção.
Solicite um Estudo de Viabilidade de Formulação e amostras para teste.
Referências
ABIA — Associação Brasileira da Indústria de Alimentos. Balanço do setor 2025. Março de 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/industria-de-alimentos-e-bebidas-cresceu-8-em-2025-diz-abia
IWSR. Global non-alcoholic beverage volume, 2025. / Stantec. Global zero sugar energy drink sales report, 2025.
Euromonitor International. Zebra Striping consumer behavior report. 2025.
STJ — 4ª Turma. Decisão unânime negando prorrogação da patente da semaglutida (REsp 2.240.025). Dezembro 2025. CNN Brasil, março de 2026.
PwC. GLP-1 Trends & Impact Survey, June 2024. Disponível em: https://www.pwc.com/us/en/services/consulting/business-model-reinvention/glp-1-trends-and-impact-on-business-models.html
Cornell University / Numerator. "The No-Hunger Games: How GLP-1 Medication Adoption is Changing Consumer Food Demand." Journal of Marketing Research, dezembro de 2025. Disponível em: https://news.cornell.edu/stories/2025/12/ozempic-changing-foods-americans-buy
Morgan Stanley Investment Management. "Next Order Effects of Increasing GLP-1 Use." 2025. Disponível em: https://www.morganstanley.com/im/en-us/individual-investor/insights/articles/effects-of-increasing-glp-1-use.html
EY-Parthenon. GLP-1 Consumer Survey. Março de 2025. Disponível em: https://www.ey.com/en_us/insights/consumer-products/glp-1-shifts-alcohol-market-dynamics
Neeland, I.J. et al. Changes in lean body mass with glucagon-like peptide-1-based therapies and mitigation strategies. Diabetes, Obesity and Metabolism, 2024. Endocrine Society ENDO 2025.
Global Market Insights. Clean Label Ingredients Market. 2024–2034.
Kerry Group. Taste Charts 2026 / Creatively Bold food & beverage trends. 2026.
Fortune Business Insights. RTD Beverages Market, 2024.
Innova Market Insights. Top Ten Trends 2026: Shaping the Future of Food & Beverage. 2025.
Global Market Insights / Deep Market Insights. Functional Hydration Beverages Market Brazil 2026–2033.
Cargill. Sweetness Spectrum Insights Report, 2023.
Wilding, J.P.H. et al. STEP 1 Trial — Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. NEJM, 2021.


